A
COMUNHÃO COM DEUS
A
Prece. A fé e o seu poder. O Homem e o Sentimento Religioso. Amor a Deus.
Adoração. Vida Contemplativa.
Ä A Prece:
A quem conteste a
eficácia da Prece. Dizem: conhecendo Deus as nossas necessidades, inútil se
torna mostrá-la.
A verdade é que a
prece proporciona a quem ora, um bem estar incalculável já que aproxima a Criatura do Criador.
“A prece é o orvalho
Divino que aplaca o calor excessivo das paixões”.
Não existe qualquer
fórmula para orar.
O Espiritismo
reconhece como boas às preces de todos
os cultos, quando ditas de coração
e não somente com os lábios.
A qualidade da prece é ser clara
simples e concisa.
A prece pode ter como
objeto um pedido, um agradecimento ou
uma glorificação.
As preces feitas a
Deus, escutam-nas os Espíritos incumbidos da execução de suas vontades (de
Deus).
Ä Tipos de Prece:
No livro
"Estudando a Mediunidade" (psicografado por Francisco Cândido Xavier,
pelo Espírito de André Luiz), p. 174 a 176, são mencionados os seguintes tipos
de preces:
Vertical -
expressa aspirações elevadas.
Horizontal - encontra ressonância entre aqueles
Espíritos ainda ligados aos problemas terrestres, vivendo, portanto,
horizontalmente.
Descendente - a essa não daremos a denominação de “prece”, substituindo-a por “invocação”, consoante aconselha o Ministro
Clarêncio no livro "Entre a Terra e Céu" (psicografado por
Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de André Luiz). Nesta a resposta virá de entidades de baixo
tom vibratório.
Nossas preces
encontrarão sempre a resposta dos nossos afins, dos que comungam conosco tais
ou quais idéias, tais ou quais objetivos.
Quando Jesus nos
disse: “Tudo o que pedirdes com fé, em
oração, vós o recebereis” (Mateus, 21:22).
Desta afirmação,
podemos concluir que:
“Concedido vos será o que quer
que pedires pela prece”
Seria ilógico deduzir
que basta pedir para obter, bem como, também seria injusto acusar a Providência
de não atender a toda súplica que se lhe faça.
É como procede um pai
criterioso que recusa ao filho o que seja contrário aos seus interesses.
O santuário doméstico
que encontre criaturas amantes da oração e dos sentimentos elevados, converte-se em campo sublime das mais belas
florações e colheitas espirituais.
Falamos a Deus dos
nossos problemas, suplicamos que Ele nos ilumine o entendimento, para que
saibamos receber dignamente as decisões.
Em verdade, todos nós
podemos endereçar a Deus, em qualquer parte e em qualquer tempo, as mais
variadas preces; no entanto, nós todos precisamos cultivar paciência e humildade, para esperar e compreender as respostas de Deus.
“Orando, o Cristo falava ao Pai.
No intervalo da oração, escutava Deus.”
A prece, em verdade, não pode mudar as leis imutáveis; ela
não poderia, de maneira alguma, mudar nossos destinos; seu papel é
proporcionar-nos socorro e luzes que nos tornem mais fácil o cumprimento da
nossa tarefa terrestre.
Pergunta 658 de “O Livro dos
Espíritos”: A
prece é agradável a Deus?
R. - A prece é sempre agradável a
Deus, quando ditada pelo coração, porque a intenção é tudo para Ele...
Pergunta 660 de “O Livro dos
Espíritos”: A prece torna o homem melhor?
R. - Sim, porque
aquele que faz a prece com fervor e confiança se torna mais forte contra as
tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro
jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.
O essencial não é orar muito, mas
orar bem.
A prece não pode ter
o efeito de mudar os desígnios de Deus,
mas a alma pela qual se ora experimenta alívio, porque é um testemunho de
interesse que se lhe dá e porque o infeliz é sempre consolado, quando encontra
almas caridosas que compartilham as suas dores...
Ä A Fé e o seu poder:
Fé, no sentido comum,
corresponde à confiança em si mesmo.
Fé, crença desta ou daquela religião:
fé judaica, fé budista, fé católica etc.
Existe também a fé
pura, difícil de ser encontrada, por ser uma conquista lenta, fruto de
experiências de várias vidas.
Conseguir a fé é
alcançar a possibilidade de não mais dizer:
“Eu creio , mas afirmar, eu sei”.
A fé pode ser Raciocinada ou Cega.
Fé
Cega: aceita
sem verificação nenhuma, assim o verdadeiro como o falso. levado ao excesso, produz o fanatismo.
Fé
Raciocinada:
se baseia na verdade, garante o futuro, porque nada tem a
temer do progresso das luzes, dado que o que é verdadeiro na obscuridade,
também o é à luz meridiana.
A principal condição
da verdadeira fé é, pois, ser raciocinada.
Outra condição é
prender-se à verdade, não se compactuando, nunca, com a mentira.
A fé verdadeira não
se conquista de uma hora para outra. É trabalho do tempo, de experiências
vivenciadas.
Em certas pessoas, a
fé parece de algum modo inata, sinal
evidente de anterior progresso. Em outras pessoas, ao contrário, elas
dificilmente penetram, estão com a educação por fazer.
Inspiração Divina, a
fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem. É a
base da Regeneração.
Fé sincera: empolgante, contagiosa, comunicativa.
Fé aparente:
é
indiferente, apenas usa de palavras sonoras que deixam frio quem as escuta.
Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a
razão, em todas as épocas da humanidade.
Em Mateus
(Evangelista Mateus) Cap. 17, versículos 14-20, Marcos Cap.9 v.v.14-29, Lucas
Cap. 9, v.v. 37-93.
Um certo pai procura
Jesus, pedindo para curar seu filho obsidiado, já que os discípulos não
conseguiram.
Jesus cura o enfermo.
Os discípulos
perguntaram: porque não pudemos curá-lo, Jesus respondeu: - por causa da vossa
incredulidade.
Se tivésseis a fé do
tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada seria impossível...
“Tudo é possível
àquele que crê” o pai do menino do relato acima exclama “Creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade!
Ä O Homem e o Sentimento Religioso:
O sentimento
religioso, nasce com o indivíduo. Existiu em todos os povos, se bem que sob
formas diferentes.
Podemos dizer que
nunca existiram povos ateus, pois este sentimento é inato no ser humano.
Ora, por medos decorrentes das forças
desorganizadas das eras primeiras da vida. Dessas forças, surgiram as
diferentes formas da apaziguar a fúria dos seus responsáveis.
Mediantes cultos que
se transformariam em Religiões com
as suas variadas cerimonias, cada vez mais complexas e sofisticadas...
Nas raças bárbaras
proliferaram as idéias terroristas de um Deus, cuja cólera destruidoras se
abrandaria à custa de sacrifício humanos.
Hoje, mais facilmente
entendemos que “a adoração verdadeira é
do coração”.
E posto que Deus é
Amor, não há como adorá-lo senão: amando-nos
uns aos outros”, pois como sabiamente nos ensina João o apóstolo Cap.4:v.v.
20):
- Se o homem não ama a seu irmão, que lhe está próximo, como
pode amar a Deus, a quem não vê?
Ä Amor a Deus, Adoração:
O conhecimento da
verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais essencial, de
mais necessário, porque é ele que nos sustenta, nos inspira e nos dirige, mesmo à nossa revelia.
“(...) Deus é o
Espírito de Sabedoria, de Amor e de Vida, o poder infinito que governa o mundo
(...)
Só gradualmente vamos
entendendo Deus na sua essência, na medida que desenvolvemos as nossas
capacidades perceptivas.
Deus é o princípio,
é o absoluto, o infinito, o eterno. Deus é conceito e matéria, principio e
forma, causa e efeito...
O homem que nega a
Deus encontra-se, transitoriamente, envolvido pelo manto da ignorância.
Da paternidade de
Deus decorre a fraternidade humana.
Espíritos mais
evoluídos adoram Deus em Espírito.
Os involuídos, necessitam de uma
imagem material, não é uma mentira consciente. É uma
tradução da linguagem espiritual, que lhe é
incompreensível, em uma linguagem concreta, a ele
acessível. Assim ele pode ver e tocar as imagens de Deus.
A evolução leva cada
vez mais a sentir Deus, não apenas transcendente,
mas também imanente.
O indivíduo
espiritualizado acabará por sentir a presença Dele não somente em si, mas em
torno de si.
Então se descobrirá
que Deus está em toda parte, que o seu templo
é o universo, seu altar pode ser o coração do homem.
Ä Vida Contemplativa:
Nenhum mérito trás a
vida contemplativa. Portanto, se é
certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem, são inúteis.
Demais, não fazer o
bem já é um mal. Há momentos na vida que se faz necessário a prática da
meditação.
São momentos breves,
dentro do cotidiano da nossa existência.
Deus quer que o homem
pense nele mas não quer que só nele pense, pois lhe impôs deveres a cumprir na
terra.
Pesquisa e Adaptação: Rodolfo de Sá Cavalcanti
Fonte: Livro dos Espíritos, O Evangelho segundo o Espiritismo, A Bíblia Sagrada